Sobre o golpe, a guerra e o domínio da palavra – por Fernando Chuí


Por mais de ano uma palavra se faz presente em nosso cenário: Golpe.

Golpe é uma expressão marcada historicamente pela ideia de algo nefasto, traiçoeiro, inconstitucional. No fim e no início das contas, todos sabem que golpe não é algo bom. Por isso, aqueles que o apóiam negam seu significado, e aqueles que o combatem reforçam o sentido de sua perfídia. Questionar o golpe não é de fato fazer uma pergunta, mas guerrear pelo domínio da palavra. A reivindicação do domínio de seu significado.

Quando todos se digladiam sobre uma questão em que a premissa oculta impossibilita o dialogo, dá-se o nome de guerra. Hoje as palavras esquerda e direita não têm sentido claro. Não há interesse em se esclarecer o significado das palavras. Não há quem queira chegar a um acordo semântico. O que se quer é golpear o inimigo.

Observemos o jogo politico como quem assiste a concessão ao crime de guerra. Assistamos a violência nas ruas com a consciência de que não se trata de somente mais um jogo entre partidos de pólos opostos. Pois estar em um jogo entre pares e achar que é uma guerra pode fazer de você um chato. Mas estar em uma guerra ideológica e acreditar que é somente mais um jogo político, isso pode fazer de você um idiota.

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