Genova, 21 de julho de 2001 – por Guappo Sauerbeck- por Guappo Sauerbeck

“Polizia” é como se fala polícia em italiano. Em julho de 2001 a “polizia” de Genova na Itália resolveu cometer atos violentos em um alojamento localizado dentro de uma escola chamada Diaz. A cidade estava fervendo com protestos organizados por movimentos antiglobalização na mesma semana da reunião do G8 – encontro dos líderes das maiores potências mundiais – e de manifestações organizadas pelo Fórum Social de Gênova. Foi uma semana muito violenta com vários confrontos culminando na morte do ativista Carlo Giuliani pela policia.

É neste ambiente que o filme “Diaz – Don´t clean up this blood” (2012), do diretor Daniele Vicari, começa e mostra um violento massacre que aconteceu na escola Diaz já no final dos protestos, quando vários manifestantes já deixavam a cidade. Dentro da escola estavam advogados do Fórum Social e jornalistas do Centro de Mídia Independente. A Polícia invadiu a escola, deixou 60 pessoas gravemente feridas, prendeu e torturou 93, alegando que seriam Black blocks. Os atos de vandalismo cometidos pela polícia ficaram famosos nos jornais do mundo todo naquela semana de 2001.

As manifestações antiglobalização começaram em Seattle em 1999 e continuam até hoje geralmente violentas. Esse massacre da polícia em 2001 aconteceu semanas depois que Berlusconi assumiu o segundo cargo de primeiro ministro e até hoje os policiais não foram condenados e os casos foram arquivados.

O filme de Vicari deve ser um alerta à nossa observação a respeito da repressão e do autoritarismo policial; alerta esse em especial no Brasil de hoje, onde realizam-se protestos constantes nas ruas e que, a despeito de não terem ainda aqui a pauta antiglobalização, podem vir a tê-la, dependendo-se das posturas e decisões do governo vigente.

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