O monstro, a trapaça e o espelho partido da nação – por Fernando Chuí

Observamos pelo reflexo das águas do rio o monstro sendo retirado do poder.
Sobre nós lança-se um estranho sentimento que parece se iniciar como um alívio, mas que no fim se revela como trapaça.
Alívio seria esse por não nos sentirmos agora tão reféns de seus ardis e de sua brutalidade. Todavia nos sobressai por fim o sentimento coletivo de trapaça a olhos nus: pois antes de condenar o criminoso, todos presenciaram o Estado deixando o monstro comandar sua própria fraude.
A votação hiper majoritária da cassação de Eduardo Cunha simboliza o retrato do lado monstruoso da nação: quebrar o espelho para tentar não olhar mais o próprio rosto.
Mas o espelho se quebra em mil pequenos espelhos que refletem nossa miséria política antes de qualquer sintoma de alívio ético.
Se não houver novas eleições serão de fato mais alguns anos de azar agora.

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