A opinião pública – por Guappo Sauerbeck

O acesso à informação que hoje em dia se dá através de vários meios como links de facebook, jornais impressos e virtuais, blogs, rádio, TV e sites faz com que tenhamos que usar toda essa pluralidade de dados com responsabilidade.

O filósofo francês Paul Virilio já nos alertou para o perigo das infovias e defendeu que “temos que civilizar a tecnologia”. Por outro lado, se usarmos os meios de comunicação com responsabilidade poderíamos chegar a uma discussão racional e criação de uma opinião pública sólida.

O termo “opinião pública”, com o significado de participação popular nas coisas de interesse público, apareceu realmente com Jean Jaques Rousseau, na metade do século XVIII, quando o autor de “O Contrato Social” escreveu que a vontade do povo é a única origem da soberania e das leis.

Se pensarmos nas relações de poder podemos voltar para David Hume em 1742 que em seus “Ensaios morais, políticos e literários” escreve que o poder está nas mãos dos governados e que aquilo que legitima esse poder é a opinião das pessoas sobre seus governantes.

Os elementos sobre a formação da opinião pública estão clássicamente discutidos no livro “A opinião pública” de Walter Lippmann de 1922. No livro, Lippmann conclui que a formação de estereótipos e uma série de elementos influenciam a “imagem nas nossas cabeças”, a saber: a atenção e o interesse limitado frente ao universo de informações sobre os acontecimentos; a limitação do potencial de comunicação das palavras e dos meios técnicos para transportá-las; os interesses particulares e as formas de construção dos interesses comuns; a censura e a restrição á algumas informações; a falta de contato com os acontecimentos ou a oportunidade de conhecê-los; e mesmo o intervalo de tempo em que a experiência humana ocorre. Inicialmente, Lippmann é cético em relação à formação de uma opinião pública sólida, mas em 1955 volta atrás em algumas palestras.

Parece-me que hoje em dia as ideias iniciais de Lippmann ainda vigoram, e se não lutarmos para um possível aperfeiçoamento da opinião pública – e de sua consciência enquanto poder público – essa mesma não poderá evoluir a ponto de balizar moralmente e democraticamente nossos governantes.

 

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