O jogo de sombras do congresso – por Michael Gonçalves da Silva e Fernando Chuí

Sherlock Holmes nos salve.
A traição alçou ao poder o atual governo e esse parece ser o padrão de seu comportamento desde então.
Ontem, as pessoas mais atentas acompanharam estarrecidas – ou não (temos dúvidas se algumas pessoas realmente se incomodam com isso) – a manobra golpista do Congresso Nacional que, liderada pelo deputado Beto Mansur do PRB-SP, colocou em pauta – em caráter de urgência e com quorum reduzido(!) – um projeto para anistiar o crime do caixa 2.
Essa aberração legal (outro padrão do governo atual) seria útil para grande parte dos citados na operação Lavajato e, dentre os beneficiados pelo projeto votado ontem à noite, está o presidente do congresso Rodrigo Maia – hoje nosso presidente interino por conta da viagem de Temer aos EUA. Ele, que é alvo de inquérito da procuradoria geral por conta do delito em votação.
Tal qual o professor Moriarty – o personagem antagonista de Sherlock Holmes, que age como “conselheiro” do crime nas famosas histórias da literatura e em séries como a da BBC – o congresso parece agora agir pelas costas da nação.
Bem como o vilão do mais notório detetive da literatura, nossos políticos hoje agem nas sombras – por meio de marionetes, de sujeitos/objetos que produzem sombras.
Como diria Platão, o mundo no qual vivemos – como se fosse uma caverna – é um mundo cheio de sombras, que são produzidas por objetos que também não são a verdade, mas uma cópia da realidade que está fora da caverna. Ora, a princípio só temos as sombras, mas como a bons detetives, nos cabe enxergar além delas, para tentar ver o que as aparências não estão mostrando totalmente; mas nos dão indícios – porque a sombra sempre se refere ao objeto da qual emana.
É importante reconhecermos que estamos vivendo hoje “na caverna”, em um mundo de sombras no qual as coisas não são ditas às claras.
Especialmente no que se refere à política, precisamos olhar além, olhar pela fresta do Congresso e, qual Sherlock Holmes, apontar a farsa e buscar o que é justo.
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