Mulheres em série – por Michael Gonçalves da Silva

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A televisão é um importante instrumento de produção de representações.

Pode servir como espaço de intelectuais orgânicos – aqueles que se creditam a participar das transformações sociais – ou como meio de mera massificação; mas, no que tange à compreensão da imagem das mulheres, o mundo parece estar mudando rapidamente. E ainda que a televisão acompanhe essa velocidade, ela também por vezes apresenta igualmente o caminho da mudança.

Parece que as belas, recatadas e do lar não são bem o tipo de personagem que estamos assistindo em algumas séries por aí. Isso pode nos mostrar que a empatia por este tipo de personagem já não é tão potente quanto nas séries e novelas de outrora.

Séries com foco em mulheres fortes e com representações muito diversas tem ganhado popularidade, como é o caso de Orange is The New Black, que conta a vida de Piper Chapman, uma socialite que acabou presa por algum tempo e a série Scandal que acompanha uma ex-funcionária da Casa Branca que trabalha como gestora de crises. Agente Carter, Jessica Jones e Supergirl são séries com heroínas femininas que estão ocupando espaço importante no mundo dos seriados e até interferindo nos quadrinhos!

Game of Thrones, a série épica mais popular do momento – que acaba de ganhar uma premiação massiva no Emmy Awards, colocando-se como a série maior vencedora de sua história – e que também ficou conhecida por sua brutalidade e exploração dos belos corpos femininos de seu elenco, chegou a um estágio da trama que coloca agora as mulheres como superiores ou iguais – em termos de protagonismo – aos homens, com figurino cada vez menos sensual, em várias cenas de nudez que parecem colocadas ali para constranger a excitação, por seu caráter violento ou chocante.

Emilia Clarke, intérprete de Daenerys Targaryen, é a atriz mais bem paga na série, de modo equivalente à sua importância na série.

House of cards, outra série de imenso sucesso, apresenta Claire Underwood, interpretada por Robin Wright como esposa de um congressista americano muito influente; mas se engana quem acha que verá nela apenas a esposa de um político sem escrúpulos. Ela é muito mais que isso! Com igual relevância na trama, tira o folego de muita gente com sua participação nos eventos da série. Exatamente por sua importância, a atriz exigiu que seu salário fosse equiparado ao do companheiro de cena e conseguiu o que queria, juntando seu nome ao coro desta igualdade que já conta com Jennifer Lawrence, Patricia Arquette e Gillian Anderson que andaram lutando por seus salários.

Enfim, são muitas as lutas das mulheres para que encontrem seu modo de ser no mundo, mas parece-me que o mundo das séries tem nos apresentado uma imagem da mulher bem diferente da mulher do milenar modelo da esposa e mãe, propagado pela filosofia, pela arte e pelo cristianismo no Ocidente, nos últimos 2000 anos, como diria o filósofo Michel Onfray.

(ilustração: Fernando Chuí)

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