Bob Dylan – por Fernando Chuí

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Na revolução francesa, a ala mais moderada e articulada à nobreza ficou à direita da assembléia constituinte. A ala mais radical da burguesia revolucionária que estava ao lado das camadas mais populares ficou à esquerda. Daí a origem das duas expressões que até hoje buscam definir posicionamentos políticos na sociedade.

Curiosamente, mais tarde Marx disse que a burguesia então viria a ser a direita e que ela é que estava contra o povo. E que seria necessária a revolução do proletariado (que era formado pela classe operária que era empregada nas fábricas) diante da opressão dos donos dos meios de produção.

E a esquerda intelectual do século XX agora bradava contra a opressão burguesa, repetindo o refrão da luta de classes.

Mas aí o mundo mudou tantas vezes que a classe pobre não era sequer ainda formada pela classe operária, essa que foi substituída pelas máquinas. E não houve revolução, somente ditaduras.

A direita acusou a esquerda de apoiar regimes comunistas ditatoriais, fez a caça às bruxas, criou outras autocracias como os regimes fascistas e ditaduras militares, prendeu, torturou e matou quem lhe parecesse qualquer forma de ameaça ao sistema.

No mundo atual, direita e esquerda demandam por voz no caos democrático.

A direita a princípio representa o pensamento conservador, capitalista, religioso, heteronormativo, patriarcal. A esquerda por sua vez luta contra desigualdades sociais, pelos movimentos raciais, pelo igualitarismo, pelas causas feministas, pelos direitos dos LGBTs.

Todos querem reformas. A direita quer um mercado livre e competitivo, pois acredita na evolução pelo crescimento econômico. A esquerda entende que esse crescimento pode ser menos prioritário quando é preciso cuidar da diminuição da pobreza e da desigualdade econômica. E a livre iniciativa capitalista da direita se identifica com o neoliberalismo que acredita nas enormes privatizações e em um Estado mínimo, enquanto os movimentos sociais de esquerda exigem maior intervenção de um Estado que zele pelas minorias e pelas camadas mais pobres da sociedade.

A direita reclama sua liberdade. A esquerda grita por justiça.  Nessa guerra, ambos os lados parecem usar as mesmas armas: a propaganda ideológica, a ironia, o ódio ao polo oposto, as notícias enviesadas, os memes, as ruas.

Bob Dylan bradou contra a injustiça; mas que não lhe viessem mexer em sua liberdade. Cuspiu nos rótulos. Porque ele tocava sua guitarra e fazia versos. Mas dizia a todos mesmo que era dançarino.

(ilustração: Fernando Chuí)

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