Grãos de areia: mexicanos e a educação no Brasil – por Guappo Sauerbeck

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No documentário “Granitos de Arena” (2005), Jill Freidberg mostra a situação da educação pública no México nos últimos 30 anos.

Pode ser importante saber um pouco o que acontece no México desde a década de 80. Ali a educação pública tem sido um problema sério e questões como a globalização e os tratados de livre comércio vêm servindo para minar seu campo pedagógico de forma declarada e sistemática.

O documentário mostra que o Banco Mundial e o FMI impuseram uma política de privatizações educacionais em troca de empréstimos monetários. Sindicatos corruptos e presidentes que colaboraram com a implantação da cartilha neoliberal fizeram com que a onda de protestos e violência policial aumentasse cada vez mais.

O filme mostra a organização e a luta dos professores em defesa da escola pública, assim como por melhores condições de vida e preservação da identidade cultural das comunidades indígenas mexicanas, a partir da mobilização dos trabalhadores do ensino, dos estudantes e seus pais contra a destruição da Escola Normal Rural MACTUMACTZA – localizada em Tuxtla Gutierrez, Chiapas – México.

Trata-se do momento de 2002 em que o Banco Mundial ofereceu um empréstimo para o estado de Chiapas para transformar essas escolas rurais em escolas técnicas semi particulares. Podemos ver no documentário as ocupações e mobilizações dos professores, estudantes e pais para reverter essa situação, e a subsequente repressão policial extremamente violenta.

Atualmente temos acompanhado debates sobre reformas da educação impostas pelo governo brasileiro. Acontecem também mudanças em toda a política fiscal implantando um ajuste fiscal permanente. É fácil e com simples matemática podemos entender que o governo diminui um pouco suas responsabilidades e investimentos na educação e na saúde, apostando na melhora das contas e no crescimento da economia. No estado de São Paulo também acompanhamos um processo de reestruturação duvidoso na área da educação. Desde o ano passado acontecem protestos de estudantes com ocupações de escolas e debates acirrados sobre a educação pública.

A ligação destes tópicos com privatizações, bem como a influência da mentalidade neoliberal nas decisões envolvendo temas básicos como educação é clara. Principalmente em um momento onde o presidente do maior banco escreve no maior jornal do país defendendo a aplicação da famosa medida fiscal.

Espelhemo-nos. O documentário da situação do México pode ajudar a entender o que mudanças drásticas podem fazer com a educação pública em um país.

Link abaixo:
www.youtube.com/watch?v=CbnTYsTlbDc

(imagem extraída do filme)

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