E-Sports: esportes eletrônicos como legitimação da fantasia humano-tecnológica – por Michael Gonçalves

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Quantos de nós seríamos capazes de existir sem estarmos munidos de nossos Gadgets? Celulares, tablets, computadores, smart TVs e outros tantos dispositivos – que aferem a pressão, monitoram frequência cardíaca, indicam caminhos com base em dados de GPS – são demonstrações de que a integração homem-máquina tão sonhada nos filmes de ficção científica cada vez mais se realiza.

As fronteiras entre as realidades se estreitam a ponto de fazerem muita gente se questionar se a realidade virtual já não é parte da totalidade da existência humana, perdendo seu caráter de mera simulação para se tornar modo próprio de viver.

Os e-sports, ou esportes eletrônicos, são competições entre jogadores profissionais em computadores, simuladores e consoles de video game que estão elevando a experiência de jogar a outro patamar. Os gêneros de jogo mais comuns são os de tiro, estratégia em tempo real e luta, tanto na versão individual, como na de múltiplos jogadores que além de movimentar uma indústria de entretenimento monumental, agora têm campeonatos mundialmente reconhecidos, televisionados e cada vez mais populares.

Quem diria que os jogos eletrônicos romperiam as telas das TVs, celulares e computadores para virarem eventos de arena amplamente divulgados nas mídias?

Foi o que aconteceu com os jogos League of Legends (LOL), Counter Strike (CS), Overwatch, D.O.T.A., dentre outros. Todos esses jogos são competitivos e disputados entre equipes de diferentes números de participantes, mas que trabalham como time, utilizando técnicas e estratégias para vencer as partidas.

Todos esses jogos tiveram ou estão em meio a seus campeonatos mundiais, nos quais equipes de países classificados se enfrentam, rumo a uma final épica, com apelo midiático de uma copa do mundo ou mesmo dos jogos olímpicos. O Brasil, aliás, anda bem representado nestas competições!

Houve um tempo no qual o esporte existia para medir as qualidades físicas e mentais dos indivíduos. Correr, saltar, atirar, lutar, mais alto, mais forte, mais preciso, maior qualidade! De geração em geração, buscava-se encontrar o melhor representante ou a melhor equipe de cada local, de cada cidade, de cada país.

A princípio, a noção de esporte sofreu transformações históricas que acompanharam as culturas humanas. A nova forma digital de esportes legitima culturas nas quais o corpo tem funções que se realizam apenas em interação com elementos técnicos (controles, microfones, fones de ouvido, teclados) e que ressaltam raciocínio e conhecimento muito elaborados, interagindo com o computador. Uma descrição semelhante a essa pode ser feita em relação ao automobilismo, no qual se compreende haver interação entre homem e máquina.

A diferença dos E-sports reside na experiência em si que alia material e local com o virtual. Os corpos que se enfrentam são reais e virtuais; são personagens que se confundem com seus controladores, donos de nomes também virtuais (apelidos, nicknames) que os transformam em lendas dos tempos pós-modernos.

Os jogos ocorrem em arenas com as equipes que se enfrentam jogando em computadores de elevadíssima qualidade, e os jogos – que estão sendo controlados pelo jogador em sua própria tela – são transmitidos em telões na própria arena (como o Ginásio do Ibirapuera ou o Staples Centre nos EUA), ao mesmo tempo em que têm audiência nas redes online.

Milhões em prêmios são movimentados e abre-se a promessa de que é possível se viver jogando de forma profissional, criando um meio híbrido de esportistas, jogadores e celebridades.

Esse movimento indica em nosso mundo tendências que legitimam a vida humana mediada por experiências virtuais e tecnologias interativas. E que essa nova condição nos dá hoje sinais de ultrapassarmos as fronteiras entre a fantasia e a concretude.

(Foto1: Maracanãzinho – final da CBLol @riotgames/Foto2: League do Legends Brasil Game Show 2012 @brasilgameshow)

Um comentário sobre “E-Sports: esportes eletrônicos como legitimação da fantasia humano-tecnológica – por Michael Gonçalves

  • Fico feliz ao ver o e-sport crescer e ver a TV brasileira cobrindo o evento. Mesmo quem não joga e não acompanha, quando está mudando de canal e pára em uma competição de League of Legends, acha no mínimo interessante saber que os video-games viraram esportes.

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