Brasil, um país que não conhecemos – por Larissa Menendez

No último dia 05 de outubro, quinta-feira, Michel Temer esteve na base de Alcântara, no estado do Maranhão, após encaminhar uma proposta ao Governo dos Estados Unidos para liberar o uso da referida base para lançamento de foguetes norte-americanos.

O acesso à base é proibido aos brasileiros e foi diretamente para esse local que Temer e sua comitiva voaram, sem passar pelos protestos da população. O fato não foi repercutido na imprensa e, apesar do exército brasileiro alegar que o uso do espaço pelos americanos viola a soberania nacional, tal fato parece ter sido ignorado pela referida comitiva.

A reabertura da base de Alcântara aos Estados Unidos, é apenas uma das faces da política genocida cuja tendência cresce rapidamente no Brasil. Em nome do desenvolvimento, diversas populações tradicionais são retiradas de seus territórios e muitas lideranças são assassinadas. Durante a construção da base no Maranhão quilombolas foram expulsos de suas comunidades. Diversos casos se espalham pelo país: os indígenas Guarani-Kayowaa, mortos por fazendeiros em Mato Grosso do Sul, fato denunciado à ONU, a tragédia de Mariana, causadora de tantas mortes e desastre ambiental, são exemplos da impunidade e política de extermínio adotada pela elite que domina o poder.

O Brasil, país de dimensão territorial continental, tem parte de sua população negra e indígena vitimadas por diversos tipos de violência e racismo, desde os tempos coloniais. Atualmente, porém, os dados estatísticos mostram que o extermínio de jovens negros corresponde a 77% dos homicídios nacionais. Sobre a população carcerária no Brasil (o 4º maior país do mundo com população carcerária) 60% da população é negra.

Em meio a tantos ataques e medidas provisórias aprovadas da noite para o dia, a tragédia que se anuncia para esses povos é a pior: a bancada ruralista, maioria no Congresso Nacional, há tempos prepara um pacote de medidas que permitirá arrendamento em terras indígenas, condicionamento de demarcação sob condição de aprovação no congresso nacional, exploração de minérios em territórios tradicionais e reservas, alegando interesse nacional.

Os direitos humanos, conquistados duramente ao decorrer da história, estão esquecidos no Brasil, num momento político em que a Constituição foi rasgada e em que os facínoras mostram, sem vergonha alguma, a sua verdadeira cara.

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